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09

Nov

Uma das histórias que mais me chamou a atenção ultimamente foi todo o bafafa por trás do vestidinho da Unibam. O fato já repercutiu com tanta força que muitos já se cansaram do assunto, ou acharam que a mídia deu atenção demais para algo sem importância. Eu sei bem por que a imprensa comprou o assunto. Jornalistas são os primeiros a reclamar de qualquer ameaça a liberdade.

Meu primeiro namorado era jornalista. Chamava-se João Xavier. Me ensinou muitas coisas, como ter auto-confiança, as dificuldades que enfrentamos para realizar sonhos e a importância inestimável de um ser vivo. Ele nunca tinha medo de brigar pelo que acreditava. Sua verdade incomodava as vezes, mas doía por que era sempre sincera. As verdades por trás das aparências ficavam mais nítidas quando enxergávamos com seus olhos.

Os valores que tantas pessoas sucumbem não o seduzia. Ele não queria dinheiro, sucesso, fama e glamour. Ele queria ser livre para tomar decisões que outros condenam. E assim o fez.

Eu, como tantos outros gays, cresci acreditando que tinha algo de errado em mim. Não é nada saudável começar a carregar um peso tão inadequado quando estamos descobrindo quem nós somos. Quando comecei a ter minha vida mais adulta, conquistando aos poucos minha independência financeira, tinha medo de continuar sempre a sombra de um modo de vida que não seria o meu. O medo me congelava. E eu me perguntava se um dia teria forças pra viver de outra forma.

Foi num dia banal que eu percebi o poder que uma postura tem quando é firme e defendida. Graças ao João eu tive coragem de brigar por um direito que os dois tinham. Não era proibido e não estávamos pedindo permissão. Sem querer foi a forma mais discreta que encontrei de assumir para o resto da minha família e colegas de trabalho. Do dia para a noite todos sabiam, como em um sonho. Decidimos na época não mostrar o rosto, éramos muito novos e a história em si era importante, não os autores.

Nunca registrei nada sobre o ocorrido. Foi um dos momentos mais conturbados da minha vida e como estou em uma fase de revirar gavetas antigas, acho justo não só a homenagem, mas também oficializar meu ponto de vista. Eu me orgulho de ter acompanhado o João nesse episódio e gostaria muito que ele pudesse ver quantos casais do mesmo sexo se beijam livremente no lugar hoje em dia. Se não sabe muito bem do que estou falando, segue um dos textos que mais gosto, publicados na época:

‘Beijaço gay’ em shopping paulista - 1/8/2003 

O Globo O PAÍS SÃO PAULO.

O bairro de classe média da Bela Vista, famoso por abrigar a maior parte da colônia italiana de São Paulo, assistirá domingo a uma versão pocket do Dia do Orgulho Gay, que levou 800 mil pessoas à Avenida Paulista, em junho. O clima, desta vez, será exclusivamente de protesto contra a discriminação. A acusação pesa contra os seguranças e a administração do Shopping Frei Caneca, que teriam discriminado o jornalista João Xavier, de 25 anos, e o publicitário Rodrigo Rocha, de 21, que se beijaram na boca no local. Na noite de 6 de julho passado, os dois se encontraram no saguão de entrada do shopping, e, no meio de um beijo, foram apartados por um segurança. O caso foi parar na polícia, na Secretaria estadual de Justiça e Defesa da Cidadania. Agora, associações de defesa dos homossexuais marcaram um “beijaço” coletivo na praça de alimentação do shopping, às 17h de domingo. Vários casais gays prometem repetir o gesto de Rocha e Xavier. Segundo o boletim de ocorrência no 4 Distrito Policial (Consolação), Xavier esperava Rocha para ir ao cinema e, quando seu par chegou, a saudação foi um abraço e um “beijo selinho”. Quando os dois caminhavam para o cinema, foram interrompidos pelo segurança, identificado no registro policial como Moisés de Oliveira. O funcionário limitou-se a informar que não eram aceitos beijos, abraços e carinhos entre homossexuais. — Quando perguntei se beijo entre homem e mulher era permitido, ele respondeu: ‘aí é diferente’. Então mandei chamar o chefe da segurança, que veio e repetiu a regra. Mais homens do departamento apareceram e nos cercaram. Chamei a polícia — disse o jornalista. O segurança confirmou a história na delegacia, acrescentando ter contado dois beijos. Sua justificativa foi o fato de o lugar ser freqüentado por idosos e crianças. Em nota oficial, o superintendente do Shopping Frei Caneca, Wilson Pelizaro, informou que, “em todos os casos que envolvam excessos, cometidos por qualquer pessoa, os seguranças estão instruídos a abordar os envolvidos e informar que o comportamento não é adequado para o local, solicitando a interrupção”. Segundo Pelizaro, não há uma operação específica para o público GLS (gays, lésbicas e simpatizantes). O problema é que o carinho público é garantido pela legislação. A lei 10.948, sancionada em novembro de 2001, permite a expressão e manifestação de afetividade e o artigo 1 prevê punição para toda discriminação contra homossexuais e bissexuais. Para Lula Ramires, presidente do Grupo Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor (Corsa), o “beijaço” é a maneira de fazer os estabelecimentos comerciais darem tratamento digno ao público gay. — Vamos mostrar que somos cidadãos. Se casais heterossexuais se beijam em público, nós também podemos. A lei que condena a discriminação tem de ser cumprida.

E justiça foi feita.

05

Nov

A capacidade criativa de uma pessoa nada tem a ver com a competência da mesma em categorizar as informações que absorve. A parte do cérebro responsável pela concepção de conteúdo novo (sendo ele resultado da aglutinação de outras informações previamente criadas) é exatamente oposta àquela que organiza e rotula os dados armazenados.

O medo do ridículo surge como um dos primeiros obstáculos para quem se dispõe a criar algo novo e compartilhar com os demais. Seja através de uma imagem, sons, textos ou vídeos, consumindo qualquer material ou quantidade de dinheiro para sua execução, utilizado posteriormente para fins comerciais ou não.

“A felicidade não é para os covardes”. Escuto nessa entrevista.

“Criação não é para quem quer, é para quem pode”. Escutei certa vez de um professor (quando estudava a especialização em Criação na ESPM de São Paulo - assim que lembrar o nome dele publico). Confesso, a frase desceu quadrada pela garganta na primeira vez que escutei.

Após tanto tempo, com muitos layouts reprovados, com tantas ideias descartadas, com tanta exposição daquilo que nasce dentro da minha cabeça, entendi finalmente seu significado. Se você tem medo que alguém te ache ridículo, então não saia mais de casa. Se tem medo que muitas pessoas te achem ridículo, então não trabalhe com nada que demande suas habilidades criativas.

E uma das poucas verdades que anoto a laser no meu caderno mental é: Sempre vai ter alguém que te acha ridículo.

Pronto. Se você aceita isso, então entende que não adianta nada se esconder. Você sempre vai incomodar alguém. Mas também sempre vai inspirar outras pessoas. No momento certo, se fizer exatamente aquilo que acredita que deve ser feito, pode escutar certas risadas de escárnio, mas também pode ajudar aquela luz que ninguém vê circular.

Campbell diria que estamos “desbussolados” por que não temos mais mitos em nossas vidas. Concordo. É preciso um esforço muito grande para encontrar algum sentido nesse mundo. Temos uma abundância infinita de informação disponível, mas assim como o meio ambiente, tem muita coisa poluindo a atmosfera de dados.

Estamos vivendo um momento muito peculiar na história. Nunca antes tanta gente teve acesso a um potencial de visibilidade tão grande. Nenhum filme futurista do passado previu um cenário como o que estamos vivendo. Ninguém previu nada como uma Stephanny, como Obama, como a crise econômica. Ninguém arriscou dizer que personalidades ganhariam mais  visibilidade e credibilidade que qualquer jornal impresso. O Google foi uma surpresa que Hakim Bey não enxergou claramente.

Teremos ainda muitas surpresas pela frente. E sabe por que? Por que ninguém sabe o que vai acontecer no futuro. Besta é quem diz que tem certeza sobre o futuro de alguma coisa hoje em dia.

Joseph Campbell estudou sua vida inteira muitas mitologias dos nossos antepassados. Se resumisse em apenas uma frase sua conclusão sobre todas as histórias, seria algo como “follow your bliss”.

Prefiro não traduzir ao pé da letra pois a frase em si perderia um pouco do significado. Estamos tão preocupados com a opinião alheia que esquecemos de escutar o que nós próprios queremos. Vivemos num sistema estabelecido que nos obriga a querer certos destinos, mas não nos ensina a chegar em lugar nenhum.

Cabe àqueles que enxergaram retwitar a mensagem.

14

Oct

Para tentar entender algum significado profundo de algo ou alguém faço um exercício que me coloca na distância necessária para olhar o fato ou objeto com espaço suficiente para incorporar diferentes repertórios. Chamo de repertórios histórias e imagens que transmitam algo semelhante ao que é estudado.Resumindo: Eu procuro pensar no assunto como uma pessoa de outra realidade, muito distante da minha. Comer um hamburguer como se fosse um indiano amigo de Sidarta. Andar de ônibus como se encarnasse um aristocrata recém chegado ao Brasil Colonial. Assistir a TV como um contemporâneo de Platão. Se a gente sabe o mínimo do que se passava em cada época, consegue fazer a ponte entre os mundos sem grandes dificuldades.Já falei sobre a pessoa retratada acima, mas devido a sua grande relevancia vale voltar mais uma vez no assunto. Tudo relacionado a ídolos e comoção popular me chamam muito a atenção. Gosto de ocupar minha cabeça formulando teorias e significados para aquilo que emociona as massas.A imagem que ilustra esse post, trazida ao mundo por Chathuranga Neminda, me fez pensar muito sobre o significado de alguns ícones pop. Quem, em outras épocas, representou os mesmos papéis que certos ídolos do nosso tempo? Qual foi o Rei do Pop do antigo Egito? Qual foi a Loira Ambiciosa do Iluminismo? O anticristo dos Maias? A Oprah brasileira dos anos 90?Milagres acontecem a todo instante. A vida é um acontecimento milagroso. Perdemos tanto tempo dando importância para histórias superficiais que deixamos de perceber nossa própria mitologia. Tudo, quando ganha um significado, tem valor inestimável. A energia que se encontra quando se entende a própria trajetória move não só montanhas, mas abre oceanos e constrói fortalezas.Nesses momentos humanos encarnam deuses e velejam por mares pouco navegados, mas sempre perseguidos. Quando uma simples mulher tem seu rosto estampado na frente de todos os demais existentes. Quando um único menino risca os céus com sua luz, desejando ser o mais famoso do universo. Quando um pai entrega o seu maior sonho para os seus filhos. Ou quando você conquista a vitória e relembra todas as privações que se submeteu.Cada indivíduo tem um universo infinito dentro de si. Cheio de novas possibilidades, cheio de segredos, cheio de belezas. Cada história de vida tem momentos sublimes e infernais, com seus gozos e dores, conquistas e derrotas, ganhos e perdas. Independente da posição social, todos somos parte de um único organismo e somos todos igualmente valiosos por nossas mais distintas diferenças.Acho cada vez mais engraçado pessoas que se apegam a visões de mundo que já não funcionam mais. A vontade de não dividir, o medo em se expor, a dificuldade em aceitar o diferente. O zeitgeist aponta para o sonho de unidade da juventude das décadas passadas. Essa é a solução inevitável para vivermos em harmonia com o planeta que nos hospeda.Nesses momentos gosto de fazer aquele mesmo exercício de distanciamento, mas como se fosse alguém que já viveu nesse futuro ainda utópico. Como é estranha essa necessidade diária de sofrimento, mesmo com tanta tecnologia e recurso disponível. Quantas mentiras e medidas desrespeitosas engolimos diariamente em nome de verdades construidas para fazer escoar poder e dinheiro na mão de poucos. Quantas vidas são desperdiçadas, jogando fora tanto potencial humano, por regras impostas por grupos que se perpetuam na ignorância da maioria.Daqui a alguns anos as atuais minorias representarão grupos majoritários. Todos temos chances iguais de atuar no mundo da forma como julgarmos necessária. Faço a minha parte quando busco novos conhecimentos e pontos de vista que enriqueçam a minha realidade. Se faz bem pra mim, vai fazer bem pro todo. Sempre reverbera.

Para tentar entender algum significado profundo de algo ou alguém faço um exercício que me coloca na distância necessária para olhar o fato ou objeto com espaço suficiente para incorporar diferentes repertórios. Chamo de repertórios histórias e imagens que transmitam algo semelhante ao que é estudado.

Resumindo: Eu procuro pensar no assunto como uma pessoa de outra realidade, muito distante da minha. Comer um hamburguer como se fosse um indiano amigo de Sidarta. Andar de ônibus como se encarnasse um aristocrata recém chegado ao Brasil Colonial. Assistir a TV como um contemporâneo de Platão. Se a gente sabe o mínimo do que se passava em cada época, consegue fazer a ponte entre os mundos sem grandes dificuldades.

Já falei sobre a pessoa retratada acima, mas devido a sua grande relevancia vale voltar mais uma vez no assunto. Tudo relacionado a ídolos e comoção popular me chamam muito a atenção. Gosto de ocupar minha cabeça formulando teorias e significados para aquilo que emociona as massas.

A imagem que ilustra esse post, trazida ao mundo por Chathuranga Neminda, me fez pensar muito sobre o significado de alguns ícones pop. Quem, em outras épocas, representou os mesmos papéis que certos ídolos do nosso tempo? Qual foi o Rei do Pop do antigo Egito? Qual foi a Loira Ambiciosa do Iluminismo? O anticristo dos Maias? A Oprah brasileira dos anos 90?

Milagres acontecem a todo instante. A vida é um acontecimento milagroso. Perdemos tanto tempo dando importância para histórias superficiais que deixamos de perceber nossa própria mitologia. Tudo, quando ganha um significado, tem valor inestimável. A energia que se encontra quando se entende a própria trajetória move não só montanhas, mas abre oceanos e constrói fortalezas.

Nesses momentos humanos encarnam deuses e velejam por mares pouco navegados, mas sempre perseguidos. Quando uma simples mulher tem seu rosto estampado na frente de todos os demais existentes. Quando um único menino risca os céus com sua luz, desejando ser o mais famoso do universo. Quando um pai entrega o seu maior sonho para os seus filhos. Ou quando você conquista a vitória e relembra todas as privações que se submeteu.

Cada indivíduo tem um universo infinito dentro de si. Cheio de novas possibilidades, cheio de segredos, cheio de belezas. Cada história de vida tem momentos sublimes e infernais, com seus gozos e dores, conquistas e derrotas, ganhos e perdas. Independente da posição social, todos somos parte de um único organismo e somos todos igualmente valiosos por nossas mais distintas diferenças.

Acho cada vez mais engraçado pessoas que se apegam a visões de mundo que já não funcionam mais. A vontade de não dividir, o medo em se expor, a dificuldade em aceitar o diferente. O zeitgeist aponta para o sonho de unidade da juventude das décadas passadas. Essa é a solução inevitável para vivermos em harmonia com o planeta que nos hospeda.

Nesses momentos gosto de fazer aquele mesmo exercício de distanciamento, mas como se fosse alguém que já viveu nesse futuro ainda utópico. Como é estranha essa necessidade diária de sofrimento, mesmo com tanta tecnologia e recurso disponível. Quantas mentiras e medidas desrespeitosas engolimos diariamente em nome de verdades construidas para fazer escoar poder e dinheiro na mão de poucos. Quantas vidas são desperdiçadas, jogando fora tanto potencial humano, por regras impostas por grupos que se perpetuam na ignorância da maioria.

Daqui a alguns anos as atuais minorias representarão grupos majoritários. Todos temos chances iguais de atuar no mundo da forma como julgarmos necessária. Faço a minha parte quando busco novos conhecimentos e pontos de vista que enriqueçam a minha realidade. Se faz bem pra mim, vai fazer bem pro todo. Sempre reverbera.

08

Oct

Planejar é pensar no melhor método para atingir um resultado acidental.
Ambrose Bierce - escritor norte-americano

01

Sep

“Não me impedirei de incluir entre esses preceitos uma idéia nova e especulativa que, apesar de parecer trivial e quase risível, é, todavia, de grande ajuda para estimular o espírito de invenção. Trata-se disso: você deveria olhar certas paredes manchadas pela umidade ou pedras de cores variadas. Se tiver que inventar algum cenário, será capaz de ver nelas semelhanças com as paisagens divinas, adornadas com montanhas, ruínas, rochedos, bosques, vastas planícies e vales de grande variedade; e também verá ali batalhas e figuras estranhas em violenta ação, a expressão dos rostos, e as roupas, e uma infinidade de coisas que será capaz de reduzir suas formas completas e exatas. Nessas paredes acontece o mesmo que com o som dos sinos, em cujas baladas você pode encontrar cada palavra que puder imaginar.”Leonardo da Vinci
Foto: http://www.flickr.com/photos/hal9000_/3872799360/

“Não me impedirei de incluir entre esses preceitos uma idéia nova e especulativa que, apesar de parecer trivial e quase risível, é, todavia, de grande ajuda para estimular o espírito de invenção. Trata-se disso: você deveria olhar certas paredes manchadas pela umidade ou pedras de cores variadas. Se tiver que inventar algum cenário, será capaz de ver nelas semelhanças com as paisagens divinas, adornadas com montanhas, ruínas, rochedos, bosques, vastas planícies e vales de grande variedade; e também verá ali batalhas e figuras estranhas em violenta ação, a expressão dos rostos, e as roupas, e uma infinidade de coisas que será capaz de reduzir suas formas completas e exatas. Nessas paredes acontece o mesmo que com o som dos sinos, em cujas baladas você pode encontrar cada palavra que puder imaginar.”

Leonardo da Vinci

Foto: http://www.flickr.com/photos/hal9000_/3872799360/

23

Aug

Conseguimos atualmente condensar um volume infinito de informação dentro da palma da nossa mão. Através de um aparelho móvel conectado a internet, temos acesso a nuvem densa de informação que nos rodeia, a rede mundial é uma grande biblioteca, onde todos podem publicar seus próprios registros, da forma como achar melhor.Produzimos tanta informação que somos incapazes de absorve-la. Temos que estabelecer critérios para não morrermos afogados nesse oceano de dados. Não podemos ser ingênuos e fazer uploads de material impróprio. Deixamos na grande rede as pegadas da nossa história.Viajei recentemente para a Europa. Como fui visitar países de primeiro mundo, não tive receio algum de levar meu notebook, que continha uma quantidade gigantesca de informação sobre a minha vida pessoal e profissional. O destino é irônico, sempre tive pavor de ter meu aparelho roubado aqui em São Paulo. Infelizmente sempre pode ter um esperto aguardando alguém baixar a guarda. Encontrei um sujeito assim em Londres, que furtou o meu computador em 10 minutos de distração. Lembro claramente o que senti quando já não tinha mais esperanças que teria de volta a minha máquina - após dar queixa na delegacia e embarcar para o meu voo destino Barcelona. Me sentia, de alguma forma, amputado. O termo é pesado, mas dor psicológica consegue machucar tanto quanto as feridas físicas. Eu tinha ainda 10 dias do escaldante sol europeu me esperando quando isso aconteceu. O fato era: Perdi um volume grande de fotografias e trabalhos pontuais e comerciais mas tinha backup dos trabalhos de maior relevancia - não perdi os arquivos mais importantes da Nous Sommes Beaux e publiquei as melhores fotos. A dor psicológica aumentava quando eu pensava nas informações perdidas. Como uma espécie de amnésia do seu cérebro auxiliar.Para não cair e deixar de desfrutar os dias que ainda tinha a frente, encarei aquilo como uma oportunidade de férias - forçadas. Mudei recentemente minha forma de trabalho, mas mesmo viajando não tinha me dado a oportunidade de não me importar com nada. Foi inevitável encarar momentos listando todos os arquivos que não poderia mais abrir.Eu sabia que quando voltaria poderia comprar outro, trabalharia da mesma forma para juntar tantos trabalhos quanto aqueles que foram perdidos. Poderia refazer tudo. Ainda estou refazendo. Mas agora de uma forma totalmente diferente da anterior.Já ouvi muita gente falar sobre a importancia da partilha. Católicos, evangélicos. narcóticos anônimos, psicólogos, taxistas. Tudo flui com mais facilidade quando traduzimos nossa história em palavras - ou imagens, sons, vídeos, objetos e desenhos. Compartilhar, repartir, dividir sua experiência de vida com seus semelhantes. Toda a informação que perdi foi aquela que não foi compartilhada. Todos os momentos que faço questão de lembrar - e por isso, compartilhei - continuaram comigo, compondo a minha presença digital.Não precisamos mostrar os bastidores do espetáculo, mas temos todas as condições favoráveis para editar e registrar nossa história. Sempre atuaremos os mesmos personagens. Sempre teremos o poder de nos inspirar e evoluir em bando. Continuaremos deixando nossas cicatrizes no mundo. Informações circulam hora ou outra e ninguém consegue estancar seu fluxo. A fofoca que chega aos nossos ouvidos espanta no primeiro momento, mas nos traz de presente a forma como mensagens são divulgadas. Sempre vão existir versões diferentes para o mesmo fato, mas a mensagem por traz de cada acontecimento é sempre a mesma. A forma como a história é contada é fator decisivo para o boca-a-boca acontecer.Mitos são mensagens contatas entre gerações para manter registrada - em figuras de linguagem - situações matriciais, que refletem questões humanas que sempre se repetirão em casos e bafos entre aqueles que estão a nossa volta. Quando registramos nossas experiências nos tornamos atores de histórias que circularão para manter viva as mesmas mensagens. Assim como Sisifo, somos condenados a empurrar nossos próprios blocos de pedra montanha acima. Tudo é passageiro e o objetivo recomeça quando a rocha antes elevada retorna ao cume da montatnha. Como diria Camis, “A própria luta em direção às alturas é suficiente para preencher o coração de um homem”. Se as consequências reafirmam o objetivo, o fardo é assimilado e os ruídos externos eliminados.

Conseguimos atualmente condensar um volume infinito de informação dentro da palma da nossa mão. Através de um aparelho móvel conectado a internet, temos acesso a nuvem densa de informação que nos rodeia, a rede mundial é uma grande biblioteca, onde todos podem publicar seus próprios registros, da forma como achar melhor.

Produzimos tanta informação que somos incapazes de absorve-la. Temos que estabelecer critérios para não morrermos afogados nesse oceano de dados. Não podemos ser ingênuos e fazer uploads de material impróprio. Deixamos na grande rede as pegadas da nossa história.

Viajei recentemente para a Europa. Como fui visitar países de primeiro mundo, não tive receio algum de levar meu notebook, que continha uma quantidade gigantesca de informação sobre a minha vida pessoal e profissional. O destino é irônico, sempre tive pavor de ter meu aparelho roubado aqui em São Paulo. Infelizmente sempre pode ter um esperto aguardando alguém baixar a guarda. Encontrei um sujeito assim em Londres, que furtou o meu computador em 10 minutos de distração.

Lembro claramente o que senti quando já não tinha mais esperanças que teria de volta a minha máquina - após dar queixa na delegacia e embarcar para o meu voo destino Barcelona. Me sentia, de alguma forma, amputado. O termo é pesado, mas dor psicológica consegue machucar tanto quanto as feridas físicas.

Eu tinha ainda 10 dias do escaldante sol europeu me esperando quando isso aconteceu. O fato era: Perdi um volume grande de fotografias e trabalhos pontuais e comerciais mas tinha backup dos trabalhos de maior relevancia - não perdi os arquivos mais importantes da Nous Sommes Beaux e publiquei as melhores fotos. A dor psicológica aumentava quando eu pensava nas informações perdidas. Como uma espécie de amnésia do seu cérebro auxiliar.

Para não cair e deixar de desfrutar os dias que ainda tinha a frente, encarei aquilo como uma oportunidade de férias - forçadas. Mudei recentemente minha forma de trabalho, mas mesmo viajando não tinha me dado a oportunidade de não me importar com nada. Foi inevitável encarar momentos listando todos os arquivos que não poderia mais abrir.

Eu sabia que quando voltaria poderia comprar outro, trabalharia da mesma forma para juntar tantos trabalhos quanto aqueles que foram perdidos. Poderia refazer tudo. Ainda estou refazendo. Mas agora de uma forma totalmente diferente da anterior.

Já ouvi muita gente falar sobre a importancia da partilha. Católicos, evangélicos. narcóticos anônimos, psicólogos, taxistas. Tudo flui com mais facilidade quando traduzimos nossa história em palavras - ou imagens, sons, vídeos, objetos e desenhos. Compartilhar, repartir, dividir sua experiência de vida com seus semelhantes. Toda a informação que perdi foi aquela que não foi compartilhada. Todos os momentos que faço questão de lembrar - e por isso, compartilhei - continuaram comigo, compondo a minha presença digital.

Não precisamos mostrar os bastidores do espetáculo, mas temos todas as condições favoráveis para editar e registrar nossa história. Sempre atuaremos os mesmos personagens. Sempre teremos o poder de nos inspirar e evoluir em bando. Continuaremos deixando nossas cicatrizes no mundo.

Informações circulam hora ou outra e ninguém consegue estancar seu fluxo. A fofoca que chega aos nossos ouvidos espanta no primeiro momento, mas nos traz de presente a forma como mensagens são divulgadas. Sempre vão existir versões diferentes para o mesmo fato, mas a mensagem por traz de cada acontecimento é sempre a mesma. A forma como a história é contada é fator decisivo para o boca-a-boca acontecer.

Mitos são mensagens contatas entre gerações para manter registrada - em figuras de linguagem - situações matriciais, que refletem questões humanas que sempre se repetirão em casos e bafos entre aqueles que estão a nossa volta. Quando registramos nossas experiências nos tornamos atores de histórias que circularão para manter viva as mesmas mensagens.

Assim como Sisifo, somos condenados a empurrar nossos próprios blocos de pedra montanha acima. Tudo é passageiro e o objetivo recomeça quando a rocha antes elevada retorna ao cume da montatnha. Como diria Camis, “A própria luta em direção às alturas é suficiente para preencher o coração de um homem”. Se as consequências reafirmam o objetivo, o fardo é assimilado e os ruídos externos eliminados.

26

Jun

A história do mágico de Oz - como todos sabem - faz uma analogia das jornadas que escolhemos ao longo da vida, ilustrando os medos e tropeços que enfrentamos, os aliados e inimigos conhecidos ao longo do caminho e as verdades que são reveladas quando atingimos nossos objetivos.O filme original marcou muito minha infância, mas lembro de uma outra versão  que assisti após algum reveillon dos anos 80. Nessa releitura todos eram negros. Anos mais tarde descobri: Eram os Jacksons.Essa foi uma das primeiras lembranças que tenho do astro que hoje partiu. Como todos da minha geração, cresci acompanhando sua carreira de perto, tendo suas músicas como trilha sonora de vários momentos da minha adolescência. Sua presença, mesmo após o auge do sucesso, continuou ecoando - a nostalgia provocada por suas músicas sempre foi agradável e bem vinda.Nos tempos áureos ele foi uma figura que conquistou multidões, seus timbres e coreografias afloravam essa estranha atração provocada por ídolos. Hoje, após acompanhar as inúmeras mensagens registradas nos diversos meios sociais, além das manchetes em veículos de comunicação, ficou obvio como ele ainda mantinha um vínculo profundo com todos aqueles que o admiravam nos tempos onde sua estrela brilhou com mais intensidade.Acho que tão interessante quanto o seu passado foram seus últimos anos de vida. Seria raso dizer que após tanto sucesso Michael entrou em decadência. A estranha metamorfose que assistimos nesses últimos anos - acompanhada por escândalos embaraçosos e comportamentos pouco convencionais - trouxe à realidade um aspecto interessante, mas assustador, dessa personalidade. Assim como sua morte, vários detalhes de sua vida permaneceram obscuros. Ninguém sabe ao certo se ele molestava mesmo suas crianças amigas. Muito se especula, mas não existe certeza sobre o fator que o motivava a enfrentar tantas cirurgias para transformar seu rosto em algo que - acredito - só o satisfazia.Michael fascinou e incomodou na mesma proporção. Foi ovacionado e vaiado com a mesma intensidade. Mas independente dos altos e baixos de sua carreira, vai ser sempre lembrado como o Rei do Pop. Suas obras ainda vão fazer parte das nossas vidas e tocar os mesmos sentimentos quando ouvidas ou assistidas. Seu destino curioso - para aqueles que o acompanharam em vida - contou uma história cheia de interrogações, de uma criança que cresceu em frente as câmeras e percorreu estradas perigosas após conhecer o ápice.A resposta para entender sua vida esta entre o brilho dos olhos daquele negrinho que cantava e dançava com tanto entusiasmo e os óculos escuros que cobriam seu rosto desfigurado em sua última aparição pública. Artistas são espelhos para o mundo - Michael foi a caricatura de um aspecto da nossa época, trágico mas igualmente belo.

A história do mágico de Oz - como todos sabem - faz uma analogia das jornadas que escolhemos ao longo da vida, ilustrando os medos e tropeços que enfrentamos, os aliados e inimigos conhecidos ao longo do caminho e as verdades que são reveladas quando atingimos nossos objetivos.

O filme original marcou muito minha infância, mas lembro de uma outra versão  que assisti após algum reveillon dos anos 80. Nessa releitura todos eram negros. Anos mais tarde descobri: Eram os Jacksons.

Essa foi uma das primeiras lembranças que tenho do astro que hoje partiu. Como todos da minha geração, cresci acompanhando sua carreira de perto, tendo suas músicas como trilha sonora de vários momentos da minha adolescência. Sua presença, mesmo após o auge do sucesso, continuou ecoando - a nostalgia provocada por suas músicas sempre foi agradável e bem vinda.

Nos tempos áureos ele foi uma figura que conquistou multidões, seus timbres e coreografias afloravam essa estranha atração provocada por ídolos. Hoje, após acompanhar as inúmeras mensagens registradas nos diversos meios sociais, além das manchetes em veículos de comunicação, ficou obvio como ele ainda mantinha um vínculo profundo com todos aqueles que o admiravam nos tempos onde sua estrela brilhou com mais intensidade.

Acho que tão interessante quanto o seu passado foram seus últimos anos de vida. Seria raso dizer que após tanto sucesso Michael entrou em decadência. A estranha metamorfose que assistimos nesses últimos anos - acompanhada por escândalos embaraçosos e comportamentos pouco convencionais - trouxe à realidade um aspecto interessante, mas assustador, dessa personalidade. Assim como sua morte, vários detalhes de sua vida permaneceram obscuros. Ninguém sabe ao certo se ele molestava mesmo suas crianças amigas. Muito se especula, mas não existe certeza sobre o fator que o motivava a enfrentar tantas cirurgias para transformar seu rosto em algo que - acredito - só o satisfazia.

Michael fascinou e incomodou na mesma proporção. Foi ovacionado e vaiado com a mesma intensidade. Mas independente dos altos e baixos de sua carreira, vai ser sempre lembrado como o Rei do Pop. Suas obras ainda vão fazer parte das nossas vidas e tocar os mesmos sentimentos quando ouvidas ou assistidas. Seu destino curioso - para aqueles que o acompanharam em vida - contou uma história cheia de interrogações, de uma criança que cresceu em frente as câmeras e percorreu estradas perigosas após conhecer o ápice.

A resposta para entender sua vida esta entre o brilho dos olhos daquele negrinho que cantava e dançava com tanto entusiasmo e os óculos escuros que cobriam seu rosto desfigurado em sua última aparição pública. Artistas são espelhos para o mundo - Michael foi a caricatura de um aspecto da nossa época, trágico mas igualmente belo.

24

Jun

Procuro manter sintonia com os fatos e pessoas que entram em destaque nas mídias de massa. Não lembro mais quando foi a última vez que liguei a tv da minha casa para assistir algum programa que me chamasse atenção. Uso dos meios digitais - onde tenho maior controle do que eu recebo - para entrar em contato com as novidades que vão fazer parte da consciência coletiva.
Confesso que deixo alguns filtros agirem e opinarem antes de clicar para conhecer certos nomes e histórias que aparecem como novidade. Dependendo de quem passa a informação tenho uma previsão de qual categoria se enquadra a manchete. Ultimamente, para falar a verdade,  mantenho silêncio para afinar os ouvidos e apurar a percepção. O som do agora diz muito sobre meu próprio momento presente. Quando entendo o que se passa no todo compreendo onde isso reverbera no meu microcosmo.
Um vôo aparentemente seguro é engolido no meio do oceano. Um novo fenômeno pop, com apenas 23 anos, surge com uma presença de palco a altura dos milhões de dólares investidos em sua personagem. Um novo reality show - que tinha tudo para ser mais um fracasso - chama a atenção de uma massa carente de fatos emocionantes. Uma menina ganha fama mundial acusando injustamente um tatuador que fez exatamente o que ela tinha pedido - marcou metade de seu rosto com estrelas.
O primeiro fato causou comoção por sua verdadeira e dura mensagem - não temos controle algum sobre o dia que mergulharemos de volta ao infinito. Quanto maior o controle financeiro, maior a ilusão de segurança. Pois bem, ficou claro que segurança nada mais é que uma ilusão que garante um certo conforto, pois nos faz esquecer que podemos deixar de existir independente de tudo o que construímos ou compramos.  O segundo escancara a velocidade e eficiência para se fabricar um novo ídolo nos dias atuais - talento a parte, um exercito trabalhou nos bastidores para colocar uma nova menina ambiciosa em destaque. A profundidade dessa nova imagem publica ainda esta a prova, mas sabemos que atrás de todo o teatro existe um ser humano em super exposição - será mesmo que conseguimos amar somente um personagem?
Já o terceiro fato, que se passa aqui no nosso quintal, chama a atenção por revelar as verdadeiras identidades por trás das mascaras públicas sustentadas por alguns dos seus participantes. Existe um prazer sádico quando notamos que um playboy reconhecido anteriormente como gala briguento na verdade é um menino fora de forma que fala baixo quando outro macho alfa grita com mais vigor. Discutir a sexualidade de bonitões e ver moças seguras perderem seu auto controle também garantem assuntos para espectadores de todas as categorias.
O quarto fato - mais risível que trágico - mostra uma jovem que não soube enfrentar a fúria paterna ao reprovar sua iniciativa de ser o que deseja. Não julgo sua decisão por cobrir o rosto com estrelas, mas sinto pena em saber que foi preciso se expor de forma tão imatura - acusando outra pessoa que só atendeu ao seu pedido. De alguma forma, o personagem que ela desejou um dia ser pedia um avatar mais corajoso.
O que da profundidade para esses eventos chamarem minha atenção é meu atual livro de cabeceira - O homem e seus simbolos, de Jung. A dinâmica da realidade que nos rodeia já se caracteriza por uma projeção daquilo que acreditamos ser, controlado por aquilo que realmente somos - o Grande Homem. Seguimos regras bem definidas, mas lutamos diariamente para entender quais são os verdadeiros parâmetros. É fácil se perder em ilusões fabricadas para controlar nossa liberdade e extremamente difícil escutar nossa voz interior, que nos chama diariamente para despertar em todas as nossas potencialidades. Vez ou outra ficamos estarrecidos quando nos deparamos com verdades simples e absolutas. É muito comum seguirmos ídolos vazios, que só consomem nosso dinheiro e nos transformam em caricaturas tolas e ocas. Rir da desgraça alheia ameniza a dor em mergulhar dentro de si mesmo - conhecer sua própria sombra e descobrir sua verdadeira identidade.
Cada um tem seu momento de caminhar no próprio inferno e encontrar uma figura que reprova aquilo que você decidiu para sua vida. Nesse momento podemos fazer como a menina das estrelas e jogar a responsabilidade nos ombros de um inocente. Egotrips existem para serem vividas sem medo. De alguma forma, como já registrado por tantos estudiosos, a coletividade agradece aqueles que enfrentam seus demônios e vivem a sua lenda pessoal.

Procuro manter sintonia com os fatos e pessoas que entram em destaque nas mídias de massa. Não lembro mais quando foi a última vez que liguei a tv da minha casa para assistir algum programa que me chamasse atenção. Uso dos meios digitais - onde tenho maior controle do que eu recebo - para entrar em contato com as novidades que vão fazer parte da consciência coletiva.

Confesso que deixo alguns filtros agirem e opinarem antes de clicar para conhecer certos nomes e histórias que aparecem como novidade. Dependendo de quem passa a informação tenho uma previsão de qual categoria se enquadra a manchete. Ultimamente, para falar a verdade, mantenho silêncio para afinar os ouvidos e apurar a percepção. O som do agora diz muito sobre meu próprio momento presente. Quando entendo o que se passa no todo compreendo onde isso reverbera no meu microcosmo.

Um vôo aparentemente seguro é engolido no meio do oceano. Um novo fenômeno pop, com apenas 23 anos, surge com uma presença de palco a altura dos milhões de dólares investidos em sua personagem. Um novo reality show - que tinha tudo para ser mais um fracasso - chama a atenção de uma massa carente de fatos emocionantes. Uma menina ganha fama mundial acusando injustamente um tatuador que fez exatamente o que ela tinha pedido - marcou metade de seu rosto com estrelas.

O primeiro fato causou comoção por sua verdadeira e dura mensagem - não temos controle algum sobre o dia que mergulharemos de volta ao infinito. Quanto maior o controle financeiro, maior a ilusão de segurança. Pois bem, ficou claro que segurança nada mais é que uma ilusão que garante um certo conforto, pois nos faz esquecer que podemos deixar de existir independente de tudo o que construímos ou compramos. O segundo escancara a velocidade e eficiência para se fabricar um novo ídolo nos dias atuais - talento a parte, um exercito trabalhou nos bastidores para colocar uma nova menina ambiciosa em destaque. A profundidade dessa nova imagem publica ainda esta a prova, mas sabemos que atrás de todo o teatro existe um ser humano em super exposição - será mesmo que conseguimos amar somente um personagem?

Já o terceiro fato, que se passa aqui no nosso quintal, chama a atenção por revelar as verdadeiras identidades por trás das mascaras públicas sustentadas por alguns dos seus participantes. Existe um prazer sádico quando notamos que um playboy reconhecido anteriormente como gala briguento na verdade é um menino fora de forma que fala baixo quando outro macho alfa grita com mais vigor. Discutir a sexualidade de bonitões e ver moças seguras perderem seu auto controle também garantem assuntos para espectadores de todas as categorias.

O quarto fato - mais risível que trágico - mostra uma jovem que não soube enfrentar a fúria paterna ao reprovar sua iniciativa de ser o que deseja. Não julgo sua decisão por cobrir o rosto com estrelas, mas sinto pena em saber que foi preciso se expor de forma tão imatura - acusando outra pessoa que só atendeu ao seu pedido. De alguma forma, o personagem que ela desejou um dia ser pedia um avatar mais corajoso.

O que da profundidade para esses eventos chamarem minha atenção é meu atual livro de cabeceira - O homem e seus simbolos, de Jung. A dinâmica da realidade que nos rodeia já se caracteriza por uma projeção daquilo que acreditamos ser, controlado por aquilo que realmente somos - o Grande Homem. Seguimos regras bem definidas, mas lutamos diariamente para entender quais são os verdadeiros parâmetros. É fácil se perder em ilusões fabricadas para controlar nossa liberdade e extremamente difícil escutar nossa voz interior, que nos chama diariamente para despertar em todas as nossas potencialidades. Vez ou outra ficamos estarrecidos quando nos deparamos com verdades simples e absolutas. É muito comum seguirmos ídolos vazios, que só consomem nosso dinheiro e nos transformam em caricaturas tolas e ocas. Rir da desgraça alheia ameniza a dor em mergulhar dentro de si mesmo - conhecer sua própria sombra e descobrir sua verdadeira identidade.

Cada um tem seu momento de caminhar no próprio inferno e encontrar uma figura que reprova aquilo que você decidiu para sua vida. Nesse momento podemos fazer como a menina das estrelas e jogar a responsabilidade nos ombros de um inocente. Egotrips existem para serem vividas sem medo. De alguma forma, como já registrado por tantos estudiosos, a coletividade agradece aqueles que enfrentam seus demônios e vivem a sua lenda pessoal.

09

Jun

Aos trancos e barrancos conheço agora o que é a tão falada vida de autonomo. Romantizamos bastante essa opção de vida quando estamos do outro lado do muro, com a certeza do holerite garantindo uma aparente estabilidade financeira. Mesmo com tantos conhecidos seguindo o mesmo rumo, pouco se fala das dificuldade enfrentadas no dia a dia.Lembro de todos os motivos que direcionaram minha atenção para esse caminho e já formalizei algumas opiniões a respeito da vida no estilo “firma”. Sinto agora a necessidade de compartilhar um pouco do que tenho enfrentado nessas primeiras semanas - já encontrei informações valiosas e acho que é meu momento de contribuir com mais algumas impressões sobre esse processo.Organizar o próprio tempo traz deliciosas descobertas. Quando temos controle total de nossa agenda, permitimos que certas particularidades se manifestem, mostrando que existem diferentes momentos para realizar determinadas tarefas. Vale descobrir qual sua melhor hora para ganhar dinheiro ou olhar para o próprio umbigo. Também notei que faz muita diferença dedicar-se para os problemas da sua comunidade, além daqueles pequenos e infinitos ajustes que você precisa fazer dentro da sua própria casa. Ações externas refletem diretamente em nossa própria psique - com isso afirmo que não existe nenhum anti depressivo mais eficiente do que uma boa faxina - dentro e fora de casa.Quando temos uma figura autoritária definida, instintivamente assumimos o papel de obediência. Quando essa figura não é mais personalizada em um chefe, automaticamente deixamos que todas as informações paralelas nos atinjam com mais facilidade. Tudo é motivo para te desviar do foco do que deve ser feito no momento presente. Uma agenda bem definida e seguida a risca pode te ajudar a não se perder nesse processo. Vale lembrar que quanto mais se posterga, mas devagar se atinge os objetivos. Idéias surgem a qualquer hora, sempre em meio a um turbilhão de outros pensamentos que nos desviam do momento presente. São sempre frágeis também, pois ainda são apenas conceitos não executados. Coloca-las em prática, quando não temos um peso hierárquico acima de nossos ombros, só depende da força de vontade daqueles que nelas acreditam. Esse é o tópico que coloco em pauta. Como é difícil organizar tantas idéias e possibilidades. Como é complicado fazer escolhas e avançar no labirinto dos trabalhos artísticos e criativos.Vez ou outra encontro trabalhos que me fizeram enxergar soluções eficientes para problemas semelhantes aos que enfrento. O portfolio de Dave Wener veio como uma luz nesse sentido. O que me chamou a atenção foi a forma auto promocional que ele faz dos seus próprios trabalhos, abrindo com naturalidade o tortuoso processo criativo por trás de cada projeto. Grandes idéias nascem de rabiscos e objetos banais do cotidiano - Dave ilustra em cada um dos seus cases esses embriões - risíveis para mentes céticas, brilhantes para mentes criativas. Não existe sonho realizado sem o conhecimento de fracasso. Imagino que por traz de tantos rabiscos, quantas idéias já foram descartadas, quantas ainda estão arquivadas e quantas ainda vão dar ao rapaz visibilidade merecida. Dave se expõe sem medo do ridículo e deixa um importante exemplo para todos aqueles que vieram ao mundo para criar imagens e contar histórias.http://okaydave.com/

Aos trancos e barrancos conheço agora o que é a tão falada vida de autonomo. Romantizamos bastante essa opção de vida quando estamos do outro lado do muro, com a certeza do holerite garantindo uma aparente estabilidade financeira. Mesmo com tantos conhecidos seguindo o mesmo rumo, pouco se fala das dificuldade enfrentadas no dia a dia.

Lembro de todos os motivos que direcionaram minha atenção para esse caminho e já formalizei algumas opiniões a respeito da vida no estilo “firma”. Sinto agora a necessidade de compartilhar um pouco do que tenho enfrentado nessas primeiras semanas - já encontrei informações valiosas e acho que é meu momento de contribuir com mais algumas impressões sobre esse processo.

Organizar o próprio tempo traz deliciosas descobertas. Quando temos controle total de nossa agenda, permitimos que certas particularidades se manifestem, mostrando que existem diferentes momentos para realizar determinadas tarefas. Vale descobrir qual sua melhor hora para ganhar dinheiro ou olhar para o próprio umbigo. Também notei que faz muita diferença dedicar-se para os problemas da sua comunidade, além daqueles pequenos e infinitos ajustes que você precisa fazer dentro da sua própria casa. Ações externas refletem diretamente em nossa própria psique - com isso afirmo que não existe nenhum anti depressivo mais eficiente do que uma boa faxina - dentro e fora de casa.

Quando temos uma figura autoritária definida, instintivamente assumimos o papel de obediência. Quando essa figura não é mais personalizada em um chefe, automaticamente deixamos que todas as informações paralelas nos atinjam com mais facilidade. Tudo é motivo para te desviar do foco do que deve ser feito no momento presente. Uma agenda bem definida e seguida a risca pode te ajudar a não se perder nesse processo. Vale lembrar que quanto mais se posterga, mas devagar se atinge os objetivos.

Idéias surgem a qualquer hora, sempre em meio a um turbilhão de outros pensamentos que nos desviam do momento presente. São sempre frágeis também, pois ainda são apenas conceitos não executados. Coloca-las em prática, quando não temos um peso hierárquico acima de nossos ombros, só depende da força de vontade daqueles que nelas acreditam. Esse é o tópico que coloco em pauta. Como é difícil organizar tantas idéias e possibilidades. Como é complicado fazer escolhas e avançar no labirinto dos trabalhos artísticos e criativos.

Vez ou outra encontro trabalhos que me fizeram enxergar soluções eficientes para problemas semelhantes aos que enfrento. O portfolio de Dave Wener veio como uma luz nesse sentido. O que me chamou a atenção foi a forma auto promocional que ele faz dos seus próprios trabalhos, abrindo com naturalidade o tortuoso processo criativo por trás de cada projeto. Grandes idéias nascem de rabiscos e objetos banais do cotidiano - Dave ilustra em cada um dos seus cases esses embriões - risíveis para mentes céticas, brilhantes para mentes criativas.

Não existe sonho realizado sem o conhecimento de fracasso. Imagino que por traz de tantos rabiscos, quantas idéias já foram descartadas, quantas ainda estão arquivadas e quantas ainda vão dar ao rapaz visibilidade merecida. Dave se expõe sem medo do ridículo e deixa um importante exemplo para todos aqueles que vieram ao mundo para criar imagens e contar histórias.

http://okaydave.com/

02

May

A constante preocupação em absorver o novo já não é mais uma opção. Quem perde a conexão com os atuais geradores de informação arrisca-se a ficar defasado nos mais variados assunto, incapacitado de compreender o todo por não ter a maioria das peças do quebra cabeça.

Já estamos habituados a absorver um volume gigantesco de novidades. Naturalmente definimos parâmetros para fazer uma curadoria de todos os links que pedem nosso click. O tempo que reservamos para nos atualizar precisa ser cuidadosamente bem estruturado para não sermos soterrados por tantas mensagens que chegam em nossos monitores.

Uma das angústias que nossa geração enfrenta surge desse descompasso entre o tempo que realmente temos e o tempo que nos é requisitado para se atualizar. É fato: não damos conta de ser aquilo que o sistema pede. Prova disso? Das pessoas que você conhece, quantas não vivem sem seus calmantes e/ou ansiolíticos? Quantas já tiveram Síndrome do Pânico? Quantas exageram nas compras, comidas ou drogas?

A gripe suína é a resposta da nossa grande Maya para a atual crise mundial. Vamos testemunhar a ruína de um império, enfrentaremos tempestades comuns em épocas de transição. Aos sobreviventes serão reservados lugares dentro da nova ordem mundial. O planeta não só esta defasado economicamente. Estamos compartilhando a descrença geral no sistema de poder vigente.

Eu acredito no poder de adaptação do homem. Também levo em consideração o potencial imenso que cada ser humano tem para despertar em vida. Fazer de sua história algo sublime, deixando para as futuras gerações um legado positivo. Nos herdamos um mundo muito confortável, mas que deixa muita sujeira embaixo do tapete.

A muito tempo atrás existiram modelos de sociedade que atingiram grandiosos graus de desenvolvimento de forma pacífica e integrada ao meio ambiente. Eles não produziam tanto lixo quanto a gente, nem precisavam de tantas coisas como a gente, mas tinham diariamente um belo nascer do sol. E não tem nada mais bonito que o nascer do sol. Namasté.